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Para uma poeta

24 de julho de 2009
Foto de Henrique Suzuki

Foto de Henrique Suzuki

Muito inspirador!

24 de julho de 2009

ZIPER DA CIDADE – 16º. QUADRO da obra ZEROMUNDO

24 de julho de 2009

O céu não está longe, mas o inferno é bem mais próximo. Os poetas viajam desatentos aos sinais de indicação de retorno ou de parada, só lhes importa a descoberta de novos rumos de um eterno prosseguir, pois não há céu e nem inferno que possa satisfazer esses seres incontidos e libertários nos destinos desta cidade. Eu queria desistir de São Paulo e de seus quadris, mas a enganação de me permitir sair, quando você se levanta de mim, se repete e repete, até que toda a minha energia para partir vira um pensamento vago, uma calma, uma paz passageira que permite a realização espiritual de recriar seu corpo no escorrer da minha língua úmida sobre a delicada superfície sua pele para criar um desenho perfeito de seios, umbigo e virilhas, com perfume do cheiro do calor mormo dos seus cabelos pretos nus que brilham no movimento do reflexo da luz da cidade que vem da janela. Você se agrada vendo minha pintura sendo desenhada através espelho. Ouço o ritmo que justifica a força de suas coxas macias e o vermelho de suas unhas passeando em seus lábios umedecidos pela alquimia da minha língua. Tudo da cidade nos quer em ato, fato e fruto da noite com suas luzes distantes e trêmulas que permitem a revelação da contração de seu ventre, que se contrai, vez ou outra e outra vez, como se a filosofia fosse querer transformar-se em fantasia e te libertar dos gemidos para a linha do horizonte. Eu fico a te olhar, ainda ligado a você, através da leveza de uma linha de um balão de gás iluminado pelo fingimento ser lua. Só neste ponto é possível ouvir a música que aquele saxofonista tocava. Era a música de uma dor por um amor que caía refletido num abismo de vidros translúcidos. Eu tentei ir embora, mas voltei, porque me lembrei do seu zíper aberto que eu, ainda, não tinha fechado.

Dia, tarde, noite e madrugada fluindo de você, por você e de nós!

24 de julho de 2009

Devo corrigir a apresentação do blog, pois o título da obra   anunciada “Zeromundo – Um lugar da outra existência” (que virou logo e marca), passou a ser  O ZÍPER DA CIDADE E OUTROS QUADROS, como vocês poderão tomar conhecimento na notícia de lançamento do livro, que serve de  apresentação deste blog pela transcrição de seu parte do prefácio feito por mim, Benedito Bergamo: “A última frase do Manifesto Surrealista, de André Breton, remeteu muitos artistas ao mundo dos sonhos. As incursões artísticas ao mundo dos sonhos revelaram-se na demonstração fértil de que nossa identidade não está numa moldura ou fórmula isolada e solitária de entender o mundo a partir de nosso próprio umbigo, porque o sentido, a identidade de cada um, está na “presença” no mundo  e sujeito ao mundo. É esse estado de “presença” que permite o desenvolvimento da capacidade humana de atribuir um sentido de ser no mundo e compreender “existência inautêntica”  que nos é projetada e que afasta uma existência verdadeira. Vejo as expressões surrealistas do mundo dos sonhos, como um exemplo prático da “desconstrução”  do discurso de ser adequado aos conceitos que se impõem a nós, ditados por um racionalismo lógico formal, que exclui e marginaliza coisas reais, objetos ideais, sentimentos e valores que completam nosso sentido de vivência. Essa “desconstrução” não é simples negação, já que negar é próprio e muito adequado, como algo que pode ser lançado sobre o sujeito que se é, ou seja, negar o que se é, compõe a conclusão que somos o sujeito que a lógica racional permite existir como verdadeiro. … Desconstruir a existência racional “inautêntica”, também é identificar as ideias que impomos (ou que nos foram impostas) como regras para nos relacionarmos com o mundo e perceber, sem os óculos das ideias postas (preconceitos) que algo está se revelando em nossa rotina diária, está provocando nossos sentidos, que o mundo está passando pelo nosso pensamentoe, tudo isso, intuições, pensamentos, apetites e o mundo, passarão na mesma medida e condições em que nossa existência passa com eles.” (continua no Zíper)