Archive for setembro \19\-03:00 2009

Sarau Céu das Águas em Caucaia do Alto

19 de setembro de 2009

O sarau Céu das Águas ocorreu em 2002 e o tema vinculava-se à preocupação ecológica com a morte dos rios em contaminação das águas. A idéia de um céu para as águas tem sua origem no imaginário pós-morte, onde tudo que é bom, quando morre, vai para um céu. Os créditos das fotos pertencem à sensibilidade do fotógrafo Luni e retratam as performances de Samuel Batista, Nathália, Max Fairbanks, Salatiel, Banda Centro da Terra (Silvano e cia), Robson, Gil, Boca, Luiz Ramalho, Ricardo, Rosa, Isa Ferreira e filha, Carlinhos Orsi, Beibe, Bene Bergamo e todos os amigos queridos que lá estiveram.

Vejam todas as fotos em http://www.flickr.com/photos/zeromundo

A NOITE QUE VEM – 20º. QUADRO da obra ZEROMUNDO

19 de setembro de 2009

O tempo falava em rascunhos bonitos que iam sendo traçados no meu caminho cansado da rua da minha própria casa. Somos palavras na inconsciente disciplina da vida e nossa existência é o que passeia pelo fio de navalha para encontrar outra pessoa em poesias que são oferecidas em espelhos. Um ruído de copo se quebrando, numa canção que falava da demora do sentimento de esperar encontrar uma amiga, fechou a porta. Cheguei. Uma palavra se moveu pelo meu sentir-se só. Eu te amo. Isso foi o que pude registrar na lembrança daquela noite pelo esconde esconde das letras que foram desenhadas na madrugada (sem perceber o afeto, a saudade, a lembrança e a ilusão). Na outra noite as longas escadarias das folhas brancas que você montou me levaram ao sótão do mais próximo absurdo e, lá, por distração, o mais nada que poderíamos expressar foi entendido nas dúvidas sobre nós mesmos. Tudo foi uma crença de mãos que se tocavam na distância perdida entre as minhas e as

tuas, entre seus pelos e seus lábios entre meus lábios (num gosto de coquetel de frutas quase salgado). Você não esquecerá! Noutra noite havia muitas velas pequenas pelo chão mágico que nos permitia flutuar com os cabelos molhados para sermos levados no perfume do batom até estrelas mais íntimas. Estas são as marcas de vida e de morte que se escondem nas sombras do meu quarto e que as traduzo derretendo-as nas luzes do dia que nasce pelas frestas da cortina como as melhores lembranças de quando eu…. (quanto tempo faz?). Ainda ouço “eu te amo”. Busco um sono tranquilo. Talvez, para a semana nos vejamos… Sei que não vai dar em nada novamente. Adormeço deixando meu coração na sala da insônia da espera de te encontrar, amiga.

“RETOQUES” – Stéphane Mallarmé (1842-1898)

19 de setembro de 2009

“Soou a hora – certamente vaticinada pelo livro – onde a visão importuna do personagem que perturbava a pureza do espelho quimérico no qual eu me aprecia, graças à luz, vai desaparecer, esse facho por mim levado: desaparecer como todos os outros personagens sumidos em tempo de tapeçarias, que apenas eram conservadas porque o acaso era negado pelo livro de magia, com o qual vou igualmente sumir. Ó sorte! A pureza não pode firmar-se – eis que a obscuridade substituirá – e que as pesadas cortinas tombando em tempo farão as trevas – enquanto o livro com as páginas fechadas todas as noites, e a luz o dia que elas apartaram. Entretanto os móveis hão de preservar sua ausência, e agonia do sonho quimérico e puro, um frasco contém a substância do Nada.
E agora não há mais do que sombra e silêncio.
Que o personagem que perturbou essa pureza pegue esse frasco que o vaticinava e a ele se amalgame, mais tarde: mas que o coloque simplesmente em seu seio, indo se fazer absolver do movimento.” (Poemas, tradução de José Lino Grünewald, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990, p. 101.

Retrato de Stéphane Mallarmé pintado por Édouard Manet.

Retrato de Stéphane Mallarmé pintado por Édouard Manet.

Jan Svankmajer – Meat Love (1989)

19 de setembro de 2009

Selecionei este vídeo pela simplicidade do humor surrealista de Jan Švankmajer. (Praga, 4 de setembro de 1934). Um artista surrealista checo. Seu trabalho abrange vários meios de comunicação. Ele é conhecido pela sua animação surreal e características, que têm influenciado outros artistas, como Tim Burton, Terry Gilliam, The Brothers Quay e muitos outros.