A NOITE QUE VEM – 20º. QUADRO da obra ZEROMUNDO

O tempo falava em rascunhos bonitos que iam sendo traçados no meu caminho cansado da rua da minha própria casa. Somos palavras na inconsciente disciplina da vida e nossa existência é o que passeia pelo fio de navalha para encontrar outra pessoa em poesias que são oferecidas em espelhos. Um ruído de copo se quebrando, numa canção que falava da demora do sentimento de esperar encontrar uma amiga, fechou a porta. Cheguei. Uma palavra se moveu pelo meu sentir-se só. Eu te amo. Isso foi o que pude registrar na lembrança daquela noite pelo esconde esconde das letras que foram desenhadas na madrugada (sem perceber o afeto, a saudade, a lembrança e a ilusão). Na outra noite as longas escadarias das folhas brancas que você montou me levaram ao sótão do mais próximo absurdo e, lá, por distração, o mais nada que poderíamos expressar foi entendido nas dúvidas sobre nós mesmos. Tudo foi uma crença de mãos que se tocavam na distância perdida entre as minhas e as

tuas, entre seus pelos e seus lábios entre meus lábios (num gosto de coquetel de frutas quase salgado). Você não esquecerá! Noutra noite havia muitas velas pequenas pelo chão mágico que nos permitia flutuar com os cabelos molhados para sermos levados no perfume do batom até estrelas mais íntimas. Estas são as marcas de vida e de morte que se escondem nas sombras do meu quarto e que as traduzo derretendo-as nas luzes do dia que nasce pelas frestas da cortina como as melhores lembranças de quando eu…. (quanto tempo faz?). Ainda ouço “eu te amo”. Busco um sono tranquilo. Talvez, para a semana nos vejamos… Sei que não vai dar em nada novamente. Adormeço deixando meu coração na sala da insônia da espera de te encontrar, amiga.

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Uma resposta to “A NOITE QUE VEM – 20º. QUADRO da obra ZEROMUNDO”

  1. Eloi Fonseca Says:

    … “no caminho cansado da rua da minha casa”
    … “e nossa existência é o que passeia pelo fio da navalha”
    … “as longas escadarias de folhas brancas que você montou me levaram ao sótão do mais puro absurdo” ( é a parte que me cabe neste latifúndio de metáforas)
    … “entre seus pêlos… meus lábio” (que belo erotismo!)

    … “adormeço na sala da insônia na espera de te encontrar” (que quanto!).

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