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A TERCEIRA VELA ACESA – 10º. QUADRO da obra ZEROMUNDO

23 de dezembro de 2009

Qualquer ponto depois da liberdade pode ser um final de poesia ou um vão de desculpa para a fuga. Eu me lembrei, depois do baile, que o relógio parou antes da volta da chave para a passagem pela porta e suas mãos apareceram antes do espelho no meu reflexo (uma distração do tempo). Uma vela acendeu-se numa primeira alucinação. Eu voltei! Chovia sobre as medalhadas da minha honra que encontrei nos degraus, mas as deixei lá para que as estações do ano continuassem a consumi-las

e aos degraus. Eu não parti, foi uma onda daquelas que se vê no mar, daquelas que arrasta a bagagem dos náufragos até uma praia, daquelas que vem e desfaz os castelos de areia da infância, que vem e que vão para um longe possível, sobre a lua ou sob o sol. Foi só um momento em que deixei de estar aqui. Confesso que não pude deixar de seguir o que os ponteiros dos relógios me falavam: Você é Humano, tem um cigarro em seus lábios e escreveu, por muito tempo, poesias do abandono sob uma garoa fria, debaixo de um manacá, o único manacá que existe na imaginação que

viveu naquela pequena praça cercada de sinos de igrejas. Me lembro, agora, que escrevi poemas de atrasos e transpirações de sonhos futuros que, num quase sempre, os deixava com uma rosa sobre o branco banco de mármore, num movimento livre de me comunicar com você (eu não podia deixar de

sentir os efeitos da realidade de seu perfume… nem tudo passa). Tenho fotos de quase tudo para te mostrar. Tudo era tão gratuito, infinito e simples no foco da câmara, mas a história é pequena aos olhos de quem ouve ou lê. Acendi mais três velas e você me perguntou a razão de tanta emoção na terceira vela. Foi difícil não roer a beleza das palavras que pudessem me fazer expressar. O máximo que pude foi desabafar disfarçando meu olhar na noite de chuva refletida num vaso de vidro. Percebi na tua voz o quanto eu tinha invadido as nuvens de anjos que pairavam no fundo do espelho, que iam mudando de humor diante de seu rosto, pois você via minha primeira lágrima com a compreensão de que a terceira vela era para iluminar a janela e orientar, até nós, a parte de mim que ficou lá no tempo escuro, molhado, frio e fora das fotografias.

Um devir feminino

23 de dezembro de 2009

Registro, aqui, que só uma mulher poderia me conduzir ao encontro da arte de Remédios. Estou Falando a Bárbara Ablas (jornalista) que sugeriu conhecer a artista. Realmente, a obra de Remédios expõe o que é mais incompreensível da alma feminina: A beleza da felicidade consciente de uma realidade prematura que não aceita o desejo da liberdade de prazer, mas que impõe uma busca constante de sua realização plena. É a falsidade da dependência, ou outra coisa que não é nem felicidade e nem dependência (por Benedito Libério Bergamo).

Remedios Varo Uranga (16 de Dezembro de 1908 – 8 de Outubro de 1963) foi uma pintora surrealista. Ela nasceu em Anglés Cataluña, Espanha e morreu de ataque cardíaco na Cidade do México em 1963. Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios mudou-se para Paris onde foi grandemente influenciada pelo movimento surrealista. Ela foi forçada a exilar-se da capital francesa durante a ocupação nazista da França e mudou-se para a Cidade do México em fins de1941. Embora ela considerasse o México como um refúgio temporário, o país acabou por tornar-se sua residência definitiva. (fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Remedios_Varo)