Ao mestre

Quando, em 1989, lá na casa em que viveu Mario de Andrade (Barra funda-SP), alguém, sentado no centro de um círculo formado de aprendizes da poesia, começou a falar do Surrealismo e de André Breton, tudo começou a mudar de lugar sem eu perceber. Estou falando de Claudio Willer (são Paulo, 1940), um poeta, ensaísta, crítico e tradutor brasileiro. Graduado em Psicologia pela USP (1966) e em Ciências Sociais e Políticas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1963), obteve o título de Doutor em Letras, pela FFLCH-USP, na área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, com a tese “Um Obscuro Encanto: Gnose, Gnosticismo e a Poesia Moderna”, aprovada com distinção e louvor, em 28 de março de 2008. Como poeta, Willer distingue-se pelo caráter transgressivo de sua obra, ligada ao surrealismo e à geração beat. Alguns de seus trabalhos são: Anotações para um apocalipse. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1964; Dias circulares. São Paulo: Massao Ohno Editor, 1976; Jardins da Provocação. São Paulo: Massao Ohno/Roswitha Kempf Editores, 1981. Estranhas Experiências, , Rio de Janeiro: Lamparina, 2004. Volta. São Paulo: Iluminuras, 1996 (3ª edição: 2004). Um pouco de sua poesia.

“POÉTICA

1
então é isso
quando achamos que vivemos estranhas experiências
a vida como um filme passando
ou faíscas saltando de um núcleo
não propriamente a experiência amorosa
porém aquilo que a precede
e que é ar
concretude carregada de tudo:
a cidade refletindo para sua hora noturna e todos indo para casa ou então
marcando encontros improváveis e absurdos, burburinho da multidão circulando
pelo centro e pelos bairros enquanto as lojas fecham mas ainda estão iluminadas,
os loucos discursando pelas esquinas, a umidade da chuva que ainda não passou,
até mesmo a lembrança da noite anterior no quarto revolvendo-nos em carícias e
expondo as sucessivas camadas do que tem a ver – onde a proximidade dos
corpos confunde tudo, palavra e beijo, gesto e carícia
TUDO GRAVADO NO AR
e não o fazemos por vontade própria
mas por atavismo

2
a sensação de estar aí mesmo
harmonia não necessariamente cósmica
plenitude muito pouco mística
porém simples proximidade
da aberrante experiência de viver
algo como o calor
sentido ao lado de uma forja
(talvez devesse viajar, ou melhor, ser levado pela viagem, carregar tudo junto,
deixar-se conduzir consigo mesmo)
ao penetrar no opalino aquário
(isso tem a ver com estarmos juntos)
e sentir o mundo na temperatura do corpo
enquanto lá fora (longe, muito longe) tudo é outra coisa
então
o poema é despreocupação”

Fonte: wikipedia e www.antoniomiranda.com.br

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