Texto não publicado

Texto inédito não publicado no Zíper da Cidade,  mas que revela a riqueza da produção da obra. O seria uma  apresentação através das impressões trocadas entre o  autor  e o trio  de alquimistas, Márcia Rocha, Tadeu Bandone e Henrique Suzuki. Com certeza comporá um outra edição: CORRESPONDÊNCIAS PARA UMA ORELHA  …”O seu livro é bem imagético – não sei se existe essa palavra – mas muito apropriada para quem ama a plástica visual… Traços simples, mas que devem ser enriquecidos com subjetividades. O desenho anterior remete ao surrealismo,  mas precisa de uma plástica, uma ousadia estética, como os artistas  surrealistas e uma boa a arte final…  Será uma ilustração composta, a mesma,  digitalizada com os traços, mas com a composição de um zíper de verdade, um olhar e a cidade, ou seja, terá a minha mão no traço, os efeitos especiais da Marcia e as fotos do Henrique, partindo de uma obra literária sua…   (Correspondências de Tadeu Bandone) “…acho que, finalmente, comecei a sentir que existem imagens em mim para, de alguma forma, ilustrar o seu trabalho. Como te disse antes, não estava me sentindo capaz de tanto…Tentei “segurar” as imagens que o seu estilo literário me proporcionou, mas as emoções estavam fora do meu padrão de trabalho, ou o que acredito ser o meu próprio estilo. O que, de forma alguma, tirou  a “viagem” que foi ler a sequência de imagens que os seus contos (ou não contos) descrevem. Retive algumas sensações, como a de umidade de uma chuva que sempre cai, fora e dentro da alma. A percepção quase que feminina de um masculino em busca do complemento. O coloquial com um tom de sagrado… Não sei se consigo interpretar sentimentos dessa natureza… Me expresso melhor no sarcasmo inocente, mas, ultimamente, tenho tido algumas “visões”… (Correspondências de Márcia Rocha) “…estas fotos foram feitas a partir da desconstrução das imagens formais, foi o jeito que encontrei para traduzir em imagens a minha percepção do trabalho de Benedito Bergamo. Se jogando de cabeça no puro instinto, com os olhos e o coração no lado negro da calçada, fazendo dos erros acertos, foi a forma que encontrei para me aproximar do universo que envolve o poeta. Henrique Suzuki ….” (Correspondências de Henrique Suzuki) “Penso que estilo se define assim mesmo… Seguindo uma trilha interna de um sentimento que faz nos comunicar de uma maneira peculiar. Querendo ou não, imagens são o resultado da leitura. O mundo surreal que você propõe não é o surreal do impossível, mas o surreal das possibilidades, se me faço entender, portanto, a visão urbana, com reflexos urbanos (luzes) cria, então, um universo pictórico que se encaixa perfeitamente na “sua” proposta impressionista. Uma sensação… um convite… quem sabe real ou não… talvez a mulher esteja lá como experiência concreta, mas talvez ela nunca existiu além da  imaginação…” (Correspondências de Márcia Rocha) Agora sou eu quem precisa de palavras para dizer que  suas imagens da cidade captaram as provocações de meus textos, mas o que mais me impressionou foi,  de certa modo, a paz ou  tranquilidade (ou um sentimento que não tem nome em sua contemplação) das imagens em meio a tantos movimentos  de luzes num caos de proporções infinitas que nos toca, prestes a nos motivar de alguma forma ou revelar o surpreendente (esse é um ritmo que não consigo desfazer no livro – talvez, como disse Edú Chagas, falte para mim um pouco de  técnica de leitura dramática para,  num outro momento, ver meus textos  em  ritmo diferente). Correspondências do autor. É O LIVRO.

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