Archive for setembro \23\-03:00 2015

QUEM NÃO TEM COLÍRIO?!

23 de setembro de 2015

Perceber sentidos do caos é ordenar  desordens  num sistema de profundidade, onde a desordem superficial é mais tolerável que a desordem mais profunda, já que tudo que é profundo pesa mais na direção  do fundo. Que agradável pensamento que sugere  palavras flutuantes E mergulhantes  na respiração  alegre do aquário formado de cadernetas de anotações, rascunhos, livro do Cortázar, caneta, roteador, tela, teclado, meus dedos, óculos caídos no nariz e minha voz falando cada palavra tendo  como fundo a música da manipulação eletroacústica,  Demasiado céu de Michel Redolfi e, depois,  as peças Mercabá, Assiyá e Tzimtzum, da Cabala de Mauro Muszkat sobre o atril do piano de Sérgio Vila Franca,  sob a água psíquica dos rios, lagos e cachoeiras, dos mares, dos poços das geleiras,  que estão no céu e no inferno (debaixo da terra) e da   água mineral,  que bebo num gesto de sede em meu espaço íntimo de sujeito formado  com palavras e espírito, que buscam tendências para um fenômeno sem qualquer qualidade de consciência daquilo que é percebido pelos românticos prazeres perfeitos. Tudo é repetição da ideia atemática fora do caos da contingência na ordem de uma trajetória do olhar  que se ilude esquivando-se da inevitável oposição da ordem da linguagem  com  a expressão líquida do colírio,  que não existe  caindo  no meu aquário do olhar.

Da série: Esperando a chuva no Domingo

20 de setembro de 2015

Deuses não seriam eternos se não conhecessem algo novo todo o tempo. Se quiser morrer, siga sua vida sem perguntas e achando tudo normal.

Quase um cadáver esquisito com a Gê na Praça Roosevelt ontem

17 de setembro de 2015

Tô com sono

Se tá com sono

durma

Se tá com sede

Beba

Se tá com fome

Coma

Se tá com tesão

Ame

Se tá com raiva

Mate o sono a sede  a fome  a morte

Mas não o tesão

com  fome com sede com sono

E nem o  ame porque ele  pode repetir no final

Da série: o que viram, ouviram, comiam, bebiam, fumavam ou aonde andavam e onde ficavam os personagens de Cortázar

16 de setembro de 2015

Paul_Gauguin_037]

Obra admirada pelo personagem Marrast, escultor francês, quando visitava Gloucester City Museum da cidade de Gloucester, segundo uma passagem do romance “62 Modelo para Armar”, de Julio Cortazar (coincidência ou modo do autor em compor personagens, o nome Marrast pode ser uma referência à Armand Marrast, que é uma figura histórica das letras, filosofia, jornalismo e política na França/Paris até 1849. Morre em 1852 “na miséria e esquecido por todos” – ver wikipédia): Te Rerioa – 1897 – Paul Gauguin (1848-1903) – Óleo sobre tela – Largura: 157,8 cm (frame); Altura: 122,5 cm rame);Profundidade: 12,5 cm (frame); Altura: 95,1 cm (lona); Largura: 130,2 cm (lona); inscrição Assinado, fundo centro-esquerda, TE Rerioa / P.Gauguin 97 / Taiti – Aquisição (fonte, método, data) Courtauld, Samuel; Presente; 1932 – P.1932.SC.164 – Sobre este trabalho, Te Rerioa foi pintado durante a segunda estada de Gauguin no Taiti. Ele mostra duas mulheres que olham sobre uma criança dormindo em uma sala decorada com elaborados relevos em madeira. Os números não se comunicam, aumentando a sensação de mistério. Gauguin significava o sujeito a ser incerto.Ele escreveu: “Tudo é um sonho nesta tela: é a criança? é a mãe? é o cavaleiro no caminho? ou mesmo que é o sonho do pintor !!! ‘ Ele inscreveu a palavra Taitiana para “sonho” na parte inferior da composição, mas com erros ortográficos: deve ler-se ‘rereioa’. (Etiqueta coleção Permanente) – fonte: http://www.artandarchitecture.org.uk/images

FOTOGRAFIA DE BURACOS NA PAREDE

14 de setembro de 2015

FOTOGRAFIA DE BURACOS NA PAREDE

Aquilo que leva o ser humano pode ser o ventre, o vento ou a sorte do destino comum, tão comum quanto os sinais das digitais no interruptor que acende a luz de qualquer passagem que não queremos enfrentar na total falta de paredes, janelas, porta e chão, enfim, o quase tudo que sempre está ali bem perto do nosso desejo de prisão. Procuro letras em composto por tantas palavras dos jornais espalhados entre as notícias do periódico barulho ruído de um frigobar e do controle remoto apagado na poesia visual da tela da televisão fora de sintonia. Minha alma se alonga no espelho sendo imagem saindo dos sapatos para o descanso. Vaso, flor de plástico (parece vidro), porta-retratos, telefone, cinzeiro, copo de tequila, alguns rascunhos, tique-taque do relógio despertador, chaves, livro que me emprestaram para ler, um pedaço de bolo, uma xícara de chá de boldo e colherinha, tudo está sobre a mesinha (exceto a colherinha que acabou de cair no chão),  diante das paredes que suportam e suportaram pregos, quadros de família, folhinhas de calendário, fotos de santo, alguma arte e os defeitos de quem tentou corrigir  suas imperfeições. Penso em encontrar o vão da poesia entre riscos de palavras feitas. Apago a luz. Surgem os desenhos do pensamento. Sussurro umas palavras e vou sendo conduzido aos poucos para dentro porta retrato, para adormecer em paz na dedicatória curta no verso da fotografia.

Jabberwocky (Czech: Žvahlav aneb šatičky slaměného Huberta) é um curta animado 1971 Checoslováquia filme escrito e dirigido por Jan Švankmajer, vagamente baseado no poema “Jabberwocky” de Lewis Carroll. Foi produzido por Erna Kmínková, Marta Sichová, Jirí Vanek, e animado por Vlasta Pospíšilová – fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Jabberwocky_(1971_film)

14 de setembro de 2015

Não poderia de deixar de oferecer a tradução do  poema  “Jabberwocky”  de  Lewis Carrol, por Augusto de Campos

“O Jaguadarte
Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
‘Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!’
Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
‘Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!’
Ele se ria jubileu.
Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.”

(“Com o Jaguadarte, Carroll deu impulso a uma nova maneira, não-dicionarizada, não-institucional, de abordar a linguagem, no plano criativo, fornecendo-nos instrumentos sensíveis para a nossa percepção dentro da complexidade das relações entre mundo e mente humana” – fonte: http://alicenagens.blogspot.com.br/2014/12/nova-edicao-do-jaguadarte.html

Para sobrelembrarmos de algunsquasetodos elementos de uma composição surrealista, este pequeno filme de Jan Švankmajer pode revelar pistas.

14 de setembro de 2015

vinCENTIMBUron

14 de setembro de 2015