FOTOGRAFIA DE BURACOS NA PAREDE

FOTOGRAFIA DE BURACOS NA PAREDE

Aquilo que leva o ser humano pode ser o ventre, o vento ou a sorte do destino comum, tão comum quanto os sinais das digitais no interruptor que acende a luz de qualquer passagem que não queremos enfrentar na total falta de paredes, janelas, porta e chão, enfim, o quase tudo que sempre está ali bem perto do nosso desejo de prisão. Procuro letras em composto por tantas palavras dos jornais espalhados entre as notícias do periódico barulho ruído de um frigobar e do controle remoto apagado na poesia visual da tela da televisão fora de sintonia. Minha alma se alonga no espelho sendo imagem saindo dos sapatos para o descanso. Vaso, flor de plástico (parece vidro), porta-retratos, telefone, cinzeiro, copo de tequila, alguns rascunhos, tique-taque do relógio despertador, chaves, livro que me emprestaram para ler, um pedaço de bolo, uma xícara de chá de boldo e colherinha, tudo está sobre a mesinha (exceto a colherinha que acabou de cair no chão),  diante das paredes que suportam e suportaram pregos, quadros de família, folhinhas de calendário, fotos de santo, alguma arte e os defeitos de quem tentou corrigir  suas imperfeições. Penso em encontrar o vão da poesia entre riscos de palavras feitas. Apago a luz. Surgem os desenhos do pensamento. Sussurro umas palavras e vou sendo conduzido aos poucos para dentro porta retrato, para adormecer em paz na dedicatória curta no verso da fotografia.

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