BORBULHAS

Perceber sentidos do caos pode ser ordenar  desordens  num sistema de profundidade onde a desordem superficial é mais tolerável que a desordem mais profunda, já que tudo que é profundo pesa contra a direção  da face. Que agradável visão é essa que sugere  palavras flutuantes e mergulhantes  na respiração  de  alegres bolhas do aquário formado de cadernetas de anotações, rascunhos, livro do Cortázar, caneta, roteador, tela, teclado, meus dedos, óculos caídos no nariz e minha voz falando cada palavra tendo  como fundo a música da manipulação eletroacústica,  Demasiado Céu de Michel Redolfi e, depois,  as peças Mercabá, Assiyá e Tzimtzum, da Cabala de Mauro Muszkat sobre o atril do piano de Sérgio Vila Franca,  na água psíquica dos rios, lagos e cachoeiras, dos mares, dos poças das geleiras e da   água mineral,  que bebo num gesto de sede no espaço íntimo de sujeito formado  com palavras e espírito buscando tendências para um fenômeno sem qualquer qualidade de consciência daquilo que é percebido pelo perfeito do romântico. Tudo é repetição da ideia atemática fora do caos da contingência da ordem de uma trajetória do olhar  que se ilude esquivando-se da inevitável oposição imagens e linguagem no interior das gotas do colírio que não existem  caindo  no aquário do olhar borbulhante.

 

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