Poema para o próximo livro

há pouco

não exista muito

e daqui a pouco

só existirão  batidas   detrás da porta

não é falta de mundo

nem o mundo  representa tudo

mas daqui a pouco

do mundo lá fora

restará só o pouco

e será esquecido

É assim e não de outro jeito

portas que abrem  incompletas

soltas  pelo vento

da alegria de nada

da tristeza vazia

de nada sobre o que podia ser escrito aqui

Não há nada para  fazer

Nada e nem o medo  retardam  a existência da vontade

de correr

voar

pular

mergulhar olhando para trás

para deixar ser

o que é  no sentido

da linha de pipa

da sombra de avião

do pó da poluição

de qualquer coisa

na chuva que vem

sobre as pessoas

gatos

cachorros e prédios

antenas de tv

monumentos

com  som  molhado e molhado nos olhos

Você não sabe

Isso não existe

Ninguém ensinou que era assim

mas daqui a pouco

vai acontecer

um batida perdida

sem a  esperança da chuva que foi

pelo vento   do mundo

no coração

detrás da  porta

na cidade

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