Archive for the ‘POESIA VISUAL’ Category

Arte Musiva ou um outro fato

4 de agosto de 2018

 

“Arte Musiva ou um outro fato” é o título do conjunto de imagens fotografadas pelo olhar, no ver de óculos escuros,  a imagem do visor de reproduções das imagens capturadas pela câmera do lado posterior do celular Samsung – duos e meio antigo – numa tarde, na frente do Bar do Fabinho. Lugar bom para tomar um sol da tarde. Basicamente, não percebi o acompanhamento da sequência dos meus cliques, que fazia o movimento entre os raios de sol das cores purpuras e violetas azuladas. De neon, um circulo rosa pálido querendo ser intenso para vermelho triplicado numa forma para elevar-se pelos últimos raios amarelos do ocre, da areia, do cinza frio e algum branco de placa de trânsito verde. Não fotografei as imagens na mesma sequência da publicação. Achei interessante. Pura imagem do efeito da refração de luz. Uma questão de incidência oblíqua ou não de uma onda plana que passa por um meio, que serve para justificar toda e qualquer imagem. Mas e o meio? Quais são os meios que existiam naquela tarde de sol na calçada do bar do Fabinho? Sentado, ali, naquele lugar que existe para se sentar na soleira com degrau oblíquo porta de um bar, como um caipira para contar causos, em paz, olhando de óculos escuros para o ir do sol entre os altos dos Prédios da Guimarães Rosa e Caio Prado, senti um impulso, uma vontade de fotografar aquilo que via através dos meus óculos pretos. Uma vontade tola, pois o que eu via de óculos escuros não era o que chegava na câmara do celular, pois o que via era mais escuro. Usava óculos pretos. Queria registrar algo pela ação de fotografar o enfim, a imagem sem óculos escuros. Queria registrar o momento que não sabia-se meio pelo qual as luzes com suas velocidades e incidências oblíquas ou não proporcionavam a visão de pequenos movimentos de agrupamento de corres intencionadas na forma de algo que se elevava conjunta e múltipla, naquele tarde, diante de mim, para se revelar num conjunto de fotografias.

 

 

 

 

Poema da parte “DIVINA INTUIÇÃO OESTE”  do livro “Para onde vão os sapatos” que estarei lançando no mês  de novembro agora. 

26 de outubro de 2017

 

“O espaço no rodapé e nos olhos da página em branco. A saída e a chegada das mãos. O relógio sem hora, que toca na espera da demora. Flores podadas na memória do vaso de vidro. Sapato apertado solto na sala. Olhar refletido alhures Corta

Você. Solidão. Perdão. Margem.  Imagem de Abraços. Notas de blues. Música clássica

Corta

Eu perdendo a poesia nos risos do silêncio do espatifar das gotas da chuva. Mentindo sobre calendários, linguagem, salvação, despedidas e fotografias. Querendo palavras perdidas em qualquer lugar do impulso do medo desta cidade quente que desaparece entre as estrelas dos versos dos palcos dos teatros  Corta

É noite. Leia uma frase. Ouça as palavras. Deixe-as desfazer a identidade e separar o absurdo da existência

Corta

A distância continua depois e depois entre a luz do entorno dos sapatos, do meu rosto, das paredes, da palavra por palavra, do envelope de cartas… A distância é uma fotografia no tempo da sala, da casa da mãe, da imagem distorcida dos sapatos, da forma do espelho distraído

Corta. Deligue a luz, se for caso, mas não deixe a poesia acabar na imagem da porta fechada, numa imagem de santo ou no oco da lâmpada apagada. Ascenda uma vela para orientação entre os riscos dos recortes das palavras

no vento de janela

Pense no som da caneta

uma TV fora de sintonia

ou no som de jornais espalhados pelo tapete

pegadas de astronautas seguindo as do Papai Noel

Cola

Lembre-se das virilhas ruas

dos vermelhos gemidos e do abismo da porta aberta que não podemos trancar com os pedaços

recortados

de nossas

palavras”