Archive for the ‘Prosa poética’ Category

Arte Musiva ou um outro fato

4 de agosto de 2018

 

“Arte Musiva ou um outro fato” é o título do conjunto de imagens fotografadas pelo olhar, no ver de óculos escuros,  a imagem do visor de reproduções das imagens capturadas pela câmera do lado posterior do celular Samsung – duos e meio antigo – numa tarde, na frente do Bar do Fabinho. Lugar bom para tomar um sol da tarde. Basicamente, não percebi o acompanhamento da sequência dos meus cliques, que fazia o movimento entre os raios de sol das cores purpuras e violetas azuladas. De neon, um circulo rosa pálido querendo ser intenso para vermelho triplicado numa forma para elevar-se pelos últimos raios amarelos do ocre, da areia, do cinza frio e algum branco de placa de trânsito verde. Não fotografei as imagens na mesma sequência da publicação. Achei interessante. Pura imagem do efeito da refração de luz. Uma questão de incidência oblíqua ou não de uma onda plana que passa por um meio, que serve para justificar toda e qualquer imagem. Mas e o meio? Quais são os meios que existiam naquela tarde de sol na calçada do bar do Fabinho? Sentado, ali, naquele lugar que existe para se sentar na soleira com degrau oblíquo porta de um bar, como um caipira para contar causos, em paz, olhando de óculos escuros para o ir do sol entre os altos dos Prédios da Guimarães Rosa e Caio Prado, senti um impulso, uma vontade de fotografar aquilo que via através dos meus óculos pretos. Uma vontade tola, pois o que eu via de óculos escuros não era o que chegava na câmara do celular, pois o que via era mais escuro. Usava óculos pretos. Queria registrar algo pela ação de fotografar o enfim, a imagem sem óculos escuros. Queria registrar o momento que não sabia-se meio pelo qual as luzes com suas velocidades e incidências oblíquas ou não proporcionavam a visão de pequenos movimentos de agrupamento de corres intencionadas na forma de algo que se elevava conjunta e múltipla, naquele tarde, diante de mim, para se revelar num conjunto de fotografias.

 

 

 

 

Para…

18 de dezembro de 2017

No Balcão do bar um livro de poesia

18 de dezembro de 2017

Comunico que existem exemplares para serem possuídos por quem quiser conhecer a prosa poética desenvolvido no livro “Para onde vão os sapatos”, para tanto, basta, em qualquer noite dessas, ir aos seguintes bares da Praça Roosevelt: 1) Vinil Retro Cafeteria e Tabacaria nº 230; 2) La barca nº 226; 3) Amigos do Zé nº 92; 4) Fabinho nº 28; Espetinho do Biro nº 252 (poderemos ter outros). Nesses bares você poderá comprar um exemplar por R$ 25 ou recebê-lo de presente do autor pessoalmente, se 0 acaso permitir o encontro. O fato do envolvimento dos bares da Praça na distribuição de produções independentes (livros, por exemplo) é uma proposta da comunidade boêmia da Praça Roosevelt envolvida entorno das respostas possíveis para o “por que não?” das provocações do Sarau dos Achados e Perdidos.

Um poema sobre o tema magia que ando explorando na ultima mente.

12 de novembro de 2017

Penso

Eu penso na magia

e penso numa magia

que fosse capaz de fazer

o aparelho de celular

que grava minha voz

flutuar diante da minha boca

E assim

não precisaria

sustentá-lo  com

minha mão esquerda

o cotovelo

apoiado na cadeira

de plástico

na varanda do apartamento do 10º andar

daquele edifício

da Nestor Pestana

E essa

magia

feito magia

se revelaria

pela força do vento

na luz da noite

duma luz distante

e sem brilho

Trêmula

como se fosse um caminho

duma temperatura

vibrante

fresca

suave  dum enfim

de tudo  que se transforma

na sombra

que sustenta

o flutuar do aparelho celular

E que

por ilusões ópticas

é minha

mão

que representa

tudo isso

Poema da parte “DIVINA INTUIÇÃO OESTE”  do livro “Para onde vão os sapatos” que estarei lançando no mês  de novembro agora. 

26 de outubro de 2017

 

“O espaço no rodapé e nos olhos da página em branco. A saída e a chegada das mãos. O relógio sem hora, que toca na espera da demora. Flores podadas na memória do vaso de vidro. Sapato apertado solto na sala. Olhar refletido alhures Corta

Você. Solidão. Perdão. Margem.  Imagem de Abraços. Notas de blues. Música clássica

Corta

Eu perdendo a poesia nos risos do silêncio do espatifar das gotas da chuva. Mentindo sobre calendários, linguagem, salvação, despedidas e fotografias. Querendo palavras perdidas em qualquer lugar do impulso do medo desta cidade quente que desaparece entre as estrelas dos versos dos palcos dos teatros  Corta

É noite. Leia uma frase. Ouça as palavras. Deixe-as desfazer a identidade e separar o absurdo da existência

Corta

A distância continua depois e depois entre a luz do entorno dos sapatos, do meu rosto, das paredes, da palavra por palavra, do envelope de cartas… A distância é uma fotografia no tempo da sala, da casa da mãe, da imagem distorcida dos sapatos, da forma do espelho distraído

Corta. Deligue a luz, se for caso, mas não deixe a poesia acabar na imagem da porta fechada, numa imagem de santo ou no oco da lâmpada apagada. Ascenda uma vela para orientação entre os riscos dos recortes das palavras

no vento de janela

Pense no som da caneta

uma TV fora de sintonia

ou no som de jornais espalhados pelo tapete

pegadas de astronautas seguindo as do Papai Noel

Cola

Lembre-se das virilhas ruas

dos vermelhos gemidos e do abismo da porta aberta que não podemos trancar com os pedaços

recortados

de nossas

palavras”

Convido você para participar do período de Lançamento da edição do eBook Kindle, “E ou”, pela Amazon.com.br, como o oferecimento gratuito o livro no período de 23 a 27 de janeiro de 2017.

22 de janeiro de 2017

capa-e-ou-por-benedito

Poeta não erra. Pratica rasuras.

Foi assim, praticando rasuras que  cheguei  à construção  do “E OU” como um conjunto de textos poéticos, articulado  por um índice em que o “e” permitiu a escolha dos textos poéticos antigos, novos  e reescritos e o  “ou” permitiu a dúvida de que  os textos deste livro,  uns impregnados de  repetições sonoras,    outros de imagens que  visam afetar o imaginário visual ou aqueloutros de misturas de sensações em confusões intelectuais ou mensagens filosóficas, possam  representar um caminho  de identificação  de um gosto poético. Umas imitações. Brincadeiras de criança com coisas insensatas. Um modo de escrever  para  tornar  aquilo  de alheio na poesia como algo próprio do seu  leitor  que, no caso desse livro de poemas,  é você meu amigo, pois só os amigos, esses espécimes, meio mágicos meio magos, são os  que  sempre aparecem para  nos lembrar dos valores conhecidos “e” de  explorar valores novos na vida “ou”  num  livro de poesia.

Enfim,   este livro  nada mais é  do que um conteúdo de verdades filosóficas absolutas do jogo livre de imaginação em liberdades  da expressão escrita, que tangenciam o invisível dos pregos enfiados no horizonte, porque “as coisas que não existem são mais bonitas”, como diz Felisdônio comendo papel no poema “Mundo Pequeno”  de Manoel de Barros (1916 – 2014), e, também, porque a “Natureza ama esconder-se”, segundo Heráclito de Éfeso (535 a.C.- 484 a.C.).

O autor

BORBULHAS

6 de maio de 2016

Perceber sentidos do caos pode ser ordenar  desordens  num sistema de profundidade onde a desordem superficial é mais tolerável que a desordem mais profunda, já que tudo que é profundo pesa contra a direção  da face. Que agradável visão é essa que sugere  palavras flutuantes e mergulhantes  na respiração  de  alegres bolhas do aquário formado de cadernetas de anotações, rascunhos, livro do Cortázar, caneta, roteador, tela, teclado, meus dedos, óculos caídos no nariz e minha voz falando cada palavra tendo  como fundo a música da manipulação eletroacústica,  Demasiado Céu de Michel Redolfi e, depois,  as peças Mercabá, Assiyá e Tzimtzum, da Cabala de Mauro Muszkat sobre o atril do piano de Sérgio Vila Franca,  na água psíquica dos rios, lagos e cachoeiras, dos mares, dos poças das geleiras e da   água mineral,  que bebo num gesto de sede no espaço íntimo de sujeito formado  com palavras e espírito buscando tendências para um fenômeno sem qualquer qualidade de consciência daquilo que é percebido pelo perfeito do romântico. Tudo é repetição da ideia atemática fora do caos da contingência da ordem de uma trajetória do olhar  que se ilude esquivando-se da inevitável oposição imagens e linguagem no interior das gotas do colírio que não existem  caindo  no aquário do olhar borbulhante.

 

Da série: Esperando a chuva no Domingo

20 de setembro de 2015

Deuses não seriam eternos se não conhecessem algo novo todo o tempo. Se quiser morrer, siga sua vida sem perguntas e achando tudo normal.

DOISEMBLUES

27 de julho de 2014

Augustin

Eu não sei quem está louco

Augustin

Mas você…ou eu…está louco

Augustin

Cara  a cara… Augustin

Quero ver olho no olho

Por quê

Porque, Augustin

O louco  vê o  amor  em  discos voadores o tempo todo

E quem é de nós

Quem é de nós, Augustin, não fica louco

Então, me diz Augustin

Explica Augustin

O que é que brilhou nos meus olhos

 ainda há pouco

TOM DE ROSA SOB VÉUS

27 de julho de 2014

Vejo a porta fechada como a certeza virada na recriação do mundo e, diante dela, fico no sempre vasto incompreensível momento da existência não passageira da noite que enche a mesa com palavras dos rascunhos que não sabem ser tristes. A porta se abre e vejo seus cabelos desfazendo as minhas ideias. Seu simples sorriso de estar aqui permite exercitar o aprendizado de um cachorro molhado da chuva abanando o rabo. É satisfação de bares, boates e das abertas sensações dos sentidos mornos e úmidos das luzes da rua augusta,  que se revela  sem culpa pelo rastro do teu cheiro. Não vejo mais o sentido invertido da porta aberta, a mesa vazia e nem das taças da noite abandonadas pelo consumo da sede na incógnita iluminação do tom de rosa sob véus. Fecho… abro os olhos e vejo seu corpo flutuando em dança sobre o tapete, tendo ao fundo as luzes de um celular vibrante e o sopro ofegante da cortina, que parece quer tocá-la com a mesma suavidade das mãos na mistura de saliva com beijos, blues e vozes sussurradas em palavras vagabundas e pagãs de quer um ao outro. A mesa, os rascunhos, as taças se perdem no movimento… e a cortina se agita em línguas múltiplas, que seu quadril finge ignorá-las. Percebo que não é cortina e nem o vento  que te desejam. É algo maior.  É algo que vem da origem dos relâmpagos que antecedem a tempestade que se anuncia. É aquilo que é incompleto sem seu corpo. É a existência que dança e me envolve fundindo os olhos nos sons dos trovões e nos fleches do encontro deles com o seu olhar, que apenas reviram calculando a justa medida da velocidade do meu sangue fluindo uníssono das veias e coração que bate e rebate  em teus seios. Ouço a primeira gota de chuva e a infinidade das que se seguiram, uma após a outra, se estilhaçando em pedaços líquidos, que vão sendo vorazmente sugados pela fotografia da varanda… cada vez mais brilhante e próxima  da revelação  na emulsão do perfume do prazer ziguezagueante por entre livros de poesia, enquanto o batom já vermelho em seus lábios  iluminando o dia  se prepara para fechar a porta e dizer como se escreve: -… me liga.